@PHDTHESIS{ 2024:2050211562, title = {A DISCURSIVIZAÇÃO DO SUJEITO-CRIANÇA NO MUSEU DO HOLOCAUSTO DE CURITIBA}, year = {2024}, url = "http://tede.unicentro.br:8080/jspui/handle/jspui/2441", abstract = "O presente trabalho de tese, ancorado na perspectiva da Análise de Discurso de Michel Pêcheux, trata da discursivização do sujeito-criança no Holocausto. Tomamos como corpus o Museu do Holocausto de Curitiba – PR e, como marco histórico, a Segunda Guerra Mundial ou o Terceiro Reich (1933-1945). Quando a Alemanha esteve sob o domínio do Regime Nazista causou um forte impacto em toda a Europa e, por consequência, no mundo, dando visibilidade à intolerância, ao ódio, ao poder político, ao poder bélico e ao extermínio em massa, principalmente, do povo judeu. Diante dessa delimitação, a questão que nos move é: Como nos/pelos efeitos do tempo e do espaço, no vai e vem entre a história e a memória, a criança é discursivizada no Museu do Holocausto de Curitiba e como o lugar de memória organiza a produção do conhecimento sobre a criança? Para responder à questão proposta, recortamos os discursos sobre o sujeito-criança no Museu do Holocausto de Curitiba (doravante MHC) para compreender de que modo o passado é narrativizado, constituindo efeitos no tempo presente, projetando uma temporalidade futura. O MHC possui um projeto de gestão, assim como os demais espaços memoriais e desenvolve práticas sociais, discursivas e ideológicas que corroboram para o atendimento dos objetivos a serem alcançados dentro dessa proposta de gestão. Para isso, organiza e faz circular conhecimentos que envolvam o acontecimento da Segunda Guerra Mundial e a perseguição a grupos vulneráveis, como judeus, negros, pessoas com deficiências físicas e mentais, muçulmanos, ciganos, homossexuais, mulheres, crianças, entre outros. Consideramos a história da infância, tomando materialidades discursivas que representam o sujeito-criança e o lugar desse sujeito em regimes fascistas, entendendo que essa relação funciona como uma memória (discurso de) que sustenta e, de certa forma legitima, as práticas de violência contra a criança na contemporaneidade (discurso sobre). Realizamos os devidos deslocamentos de ressignificação da história e da memória em torno desses sujeitos em materialidades que as discursivizam, destacando as repetibilidades e as rupturas nesse discurso. O corpus desta tese abarca não só o museu enquanto espaço físico, mas também o virtual do qual ressoam memórias e se constituem efeitos de sentidos para quem o visita. Este arquivo foi construído a partir de visitas presenciais e virtuais ao MHC, estabelecendo relações com discursos que circularam antes em outros lugares e com a história, enquanto historicidade que contribui para a discursivização do sujeito-criança no MHC. O corpus constitui-se de diferentes materialidades (texto-imagem, objetos, vídeos, documentos e outros), buscando sinalizar que os museus têm um funcionamento e um compromisso social, histórico e discursivo na divulgação de acontecimentos, eventos e práticas, produzindo conhecimento e constituindo (dis)cursos, que questionam "a evidência de que os museus ‘guardam’ memórias fincadas em um passado estagnado e saturado impossibilitando mudanças e transformações [...]" (Venturini, 2022a, p. 8). O espaço constrói narratividades a partir dos testemunhos de adultos que vivenciaram esse acontecimento na infância, apresentando materialidades discursivas pelas quais ressoam a posição-sujeito criança. As materialidades como os sapatos, o violino e a boneca são alicerçadas no imaginário dos sentidos e das práticas em torno do que seja criança naquelas condições de produção, instauram o efeito-testemunho. Coleta sobre o material das exposições como o “Reformador do Mundo”, referente a Janusz Korczak e “Tão somente crianças: infâncias roubadas no Holocausto” e, ainda, os projetos educativos desenvolvidos na comunidade contribuíram para o fortalecimento do corpus da pesquisa. O sujeito-criança é discursivizado a partir de objetos e referências, envolvendo a exterioridade pela organização e pela disponibilização de exposições itinerantes e projetos educacionais e que as repetibilidades ancoram-se na história e na memória que retornam. Como resultado, trouxemos a formulação do conceito de efeito-testemunho, que se refere aos objetos ou vestígios materiais capazes de ressoar memórias de sujeitos historicamente silenciados, apagados, esquecidos ou invisibilizados, ele reconstrói sua presenças-ausente, reinscrevendo-a no campo discursivo.", publisher = {Universidade Estadual do Centro-Oeste}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Letras (Doutorado)}, note = {Unicentro::Departamento de Letras} }